sábado, 12 de abril de 2008

Enredo 2008: "Entre histórias, honras e glórias... rumo à Vitória"

Introdução

Ao longo dos tempos o homem sempre buscou formas diferentes de superar os obstáculos, vencer os desafios, obter vantagem sobre adversários, alcançar sucesso nas competições. A tudo isso, chamamos “Vitória”.

Existem vários significados para esta palavra e neste carnaval a G.R.E.S. Império do Vale fará uma viagem desde a Era Helenística até os tempos atuais mostrando algumas das várias “Vitórias” (acontecidas em ilhas) que o homem conquistou. Quem guiará nossos componentes nesta viagem será
Samotrácia, a Deusa da Vitória.

Após alcançar o vice-campeonato no carnaval 2007, os componentes da azul e branco da Ilha de Vitória (capital do Estado do Espírito Santo) vão desfilar como heróis no intuito de alcançar o tão sonhado título de campeão do Carnaval Virtual.


Vitória de Samotrácia
A Nossa história inicia na Grécia, mais precisamente na Ilha de Samotrácia. Uma ilha montanhosa ao norte do mar Egeu, cujo ponto mais alto cria uma visível marca para a navegação. Considerado um dos principais santuários pan-helênicos era celebre em todo o mundo grego pelos cultos misteriosos que ali se praticava.

Dentre os mistérios, estavam a arte de dominar as águas (navegação), dominar o fogo (guerra), dominar o pensamento (política), entre outros.

A principal ciência da Samotrácia foi a estratégia e os oficiais militares eram chamados Estratégios. Tinham uma escola militar e científica, de onde saíram os melhores Capitães da Grécia. Seus Mistérios tinham por fim a coragem e o patriotismo, e os que se destacavam a serviço da pátria eram anualmente coroados em celebração pública.

Foi nesta ilha, cercada de mistérios e deuses que em 1863 foram descobertos os fragmentos de uma emblemática figura: uma estátua de mármore com a forma do corpo de uma mulher alada, porém, sem cabeça. Contam que a escultura foi criada para comemorar uma batalha naval e seria colocada sob a proa de um navio de guerra.

O trabalho para reconstruir a imagem foi muito grande e simbolizou uma verdadeira vitória. Eram 118 pedaços de mármore espalhados ao longo da ilha. Mas, o trabalho valeu a pena, não só pelo valor histórico, mas também pela beleza:

"Sob o vento, as roupas de seu vestuário
se levantam e, molhadas, colam-se ao corpo
revelando formas, força, ímpeto e fôlego de vida."

Esta força, este ímpeto, este fôlego de vida retratam bem o que se sente ao ver a Deusa pela primeira vez. Conhecida como Vitória de Samotrácia a imagem representa Atena Niké, a Deusa da Vitória para os gregos.

E sob suas bênçãos que aconteceram as primeiras lutas pelo regime democrático da civilização grega. Até o inimaginável aconteceu: atenienses e espartanos (cuja rivalidade marcou a história mundial) uniram-se para enfrentar as tropas persas que, derrotadas, retornaram à Ásia.


Nossa Senhora da Vitória
A cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo sintetiza diversas Vitórias da humanidade. Antes mesmo de Portugal aqui se instalar, contam que fenícios já tinham passado por Vitória e, inclusive teriam deixado representantes para agilizar o comércio com os indígenas. Esse é mais um fato que a história ainda não conseguiu provar. Mas, independente disso, essa é uma mostra da vitória sobre o desconhecido. Muitos falavam que os oceanos eram repletos de monstros marinhos, tubarões gigantescos capazes de engolir naus e caravelas, pedras que se moviam com posicionamento do vento, cidades submersas, entre outros. Os fenícios venceram este medo e cruzaram os oceanos.

Já os portugueses unificaram seu território numa lição de democracia para vários outros reinos, hoje países; inspiraram-se nos conhecimentos gregos, venceram o medo do mar como os fenícios e depois de grandes batalhas com os índios transformaram a Ilha de Guananira (Ilha do Mel) na Ilha de Vitória.

Há quem diga que o nome da cidade se deve ao fato da Vitória dos portugueses sobre os indígenas para ocupar a ilha, no entanto, outros alegam que a proteção de Nossa Senhora da Vitória, muito querida entre os portugueses, é que fez com que o nome fosse escolhido para o lugar.

A imagem que os portugueses conheciam da santa era uma escultura em madeira com olhos de vidro, representando a Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo. Assente numa nuvem com várias cabecinhas de anjo. Sobre o ombro esquerdo pende um manto azul bordado a efeitos vegetativos dourados.

O ato de invocar Nossa Senhora da Victória, para os portugueses tinha sentido muito semelhante ao dos gregos. Seus fiéis evocavam a vitória da vida sobre a morte, vitória do bem e o mal, vitória sobre o desconhecido e vitória sobre o medo.


Vitória do Espírito Santo
Pelas ruas da cidade portuária, navega-se na secular história contada por igrejas, fortes, escadarias e construções ecléticas do início do século XVI. Além de índios, fenícios e portugueses, por aqui também passaram espanhóis em busca de riquezas, franceses que foram expulsos a base de água quente jogada da calçada da meretriz Maria Ortiz, Holandeses que aqui queriam montar sua base militar.

Mais tarde, a cidade-porto se tornou ponto de chegada para os imigrantes europeus que fugiam da fome e da guerra para se instalar em solo capixaba. Italianos, alemães, poloneses, suíços, pomeranos, sardos e até os gregos (onde nossa história começou) alcançaram vitória em solo capixaba.

Como homenagem à cidade que lhes recebeu de braços abertos, muitos capixabas, migrantes e imigrantes que aqui vivem, deram o nome de Vitória a uma de suas filhas. A cidade é o local onde se encontra o maior número de mulheres chamadas Vitória no mundo.

“Cidade Sol, com o céu sempre azul
Tu és um sonho de luz norte a sul
Meu coração te namora e te quer
Tu és Vitória um sorriso de mulher”

A terceira capital mais antiga do País harmoniza o passado com o futuro, compondo suas paisagens com arrojadas construções e prédios antiqüíssimos e hoje é considerada uma das cidades que proporcionam melhor qualidade de vida no país.


Vitória do Povo
O carnaval é tão antigo que naquela época ainda era comum acreditar que o Brasil era uma ilha. No senso comum, o carnaval é conhecido como a festa da inversão quando todos são considerados iguais: não há regras, não há valores.

A Saturnália, período de homenagens ao deus Saturno, é uma das festas de inversão que ganharam fama por todo o mundo como precursoras do carnaval. Realizada na Roma Antiga, os festejos começavam no dia 17 de dezembro e significava uma aparente quebra de hierarquia da sociedade.

Os escravos, filósofos e tribunos misturavam-se em praça pública em comemorações com muito vinho e sexo, consideradas verdadeiras orgias. Em alguns momentos, empregados ocupavam o lugar dos patrões, nobres se disfarçavam de plebeus, prisioneiros assumiam o comando das cidades e a ordem se invertia. Em seu livro Carnaval: Seis milênios de história, o médico e historiador de carnaval Hiram Araújo descreve que esse tipo de carnaval é uma trégua, um alívio da hipocrisia social e do medo do corpo.

“A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira”

Semelhante a esta festa havia também as Lupercais, homenagem ao deus Pã, e Bacanais, expressão que deriva do nome Baco, o deus do vinho na mitologia romana. Cada local criou sua própria festa, suas brincadeiras e peculiaridades. Quem nunca ouviu falar nas máscaras de Veneza? Nas batalhas de flores de Nice? No entrudo de Portugal? Nos grandes bailes a fantasia promovidos por Luís XIV na França? Todas são formas de carnaval e todas são diferentes.

A realização do carnaval das escolas de samba é uma grande vitória do povo brasileiro. Muitos ainda se perguntam como que pessoas, muitas vezes sem formação superior ou cursos em belas artes podem produzir espetáculos tão belos? Como mestres de bateria, sem conhecer os procedimentos básicos da regência de uma orquestra consegue comandar tantos ritimistas utilizando somente as mãos e os apitos? De onde originou o bailado do casal de mestre-sala e porta-bandeira? Como que compositores que muitas vezes não concluíram o ensino fundamental são capazes de produzir tão belas letras e melodias? Essas e outras perguntas têm uma única resposta: a força de vontade do povo.


Vitória da Criatividade
Nosso enredo até agora mostrou Vitórias que acontecem em ilhas. O carnaval virtual também acontece numa ilha, porém, digital. Onde os sambistas navegam e fazem novos amigos.

A G.R.E.S.V. Império do Vale, também é uma Vitória. Trata-se de uma escola de samba que demonstra o espírito criativo, inovador e impetuoso de jovens brasileiros que através de seu trabalho exposto na internet querem mostrar ao mundo inteiro que também sabem fazer carnaval.

A agremiação faz parte de uma vitória ainda maior, a Liga da Escolas de Samba Virtuais (Liesv), que completa seis anos realizando sonhos de futuros carnavalescos, intérpretes, compositores, presidentes e sambistas em geral. Aos poucos o talento de cada um destes componentes reais das agremiações virtuais torna-se conhecido e eles são escalados para compartilhar seu talento nos carnavais do Brasil.

“Afastado do ‘mega-show’
Seu grande sonho hoje começou
Realidade em um mundo virtual
Ousadia ou fantasia
Na tela do computador”

A azul e branco, com sede na Ilha de Vitória, encerra o seu carnaval com uma grande homenagem a todos aqueles que heroicamente participam do maior espetáculo da tela, o carnaval virtual. E mais, vai em busca da vitória que falta na história: o campeonato no carnaval virtual!

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